Wednesday, October 31, 2001

E-commerce: motivações e obstáculos das empresas europeias

As empresas europeias embarcam no e-commerce para melhor gerirem o relacionamento com os seus clientes, para aperfeiçoar a coordenação da cadeia de valor e para reduzirem custos, entre outras motivações, revela o estudo E-commerce business impact project do Institute for Prospective Technological Studies (IPTS), pertencente à União Europeia, o qual procurou trazer algumas conclusões acerca do impacto do comércio electrónico nos principais sectores económicos.



Para além destes factores, as empresas estudadas têm ainda como objectivos o aumento da velocidade dos processos e da coordenação interna e, a criação de maior valor acrescentado. Através do e-commerce procuram desenvolver vantagens competitivas, estreitar o relacionamento com os parceiros estratégicos e melhorar a colaboração com o exterior.

Drivers Externos

Existem, na verdade, elementos alheios à própria empresa, sobre os quais esta não tem qualquer controlo e que influenciam a propensão do seu lançamento no comércio electrónico.

Um dos principais factores externos é a elevada expectativa criada, a qual já levou algumas empresas, a "atirarem-se de cabeça" nas vendas digitais, deixando-se envolver na onda de euforia.

Outra destas forças externas foi o clima de "globalização e liberalização", que veio trazer maior concorrência a nível mundial, a qual conduz as empresas a procurarem igualmente novos clientes internacionais, explicou Paul Desruelle, do IPTS, no âmbito do seminário "O comércio electrónico e a competitividade das empresas portuguesas", organizado pela Associação de Comércio Electrónico em Portugal (ACEP), pela Universidade Católica Portuguesa (UCP) e pelo FórumB2B.com.

Aliada à globalização, vem a pressão competitiva, outro dos drivers apontados. Quando a concorrência se atira para o e-commerce em bloco, o que fazer? Segui-la! Este é o comportamento mais frequente neste âmbito, uma vez que ninguém quer ficar na retaguarda da concorrência.

Para além disto, a eliminação dos custos aliados à distância impulsionou também o e-commerce europeu, já que antigamente havia que ponderar com quem se negociava, pois "era mais caro negociar em Paris do que em Madrid", raciocinou Luis Valadares Tavares da ACEP.

A última força referida foram os factores de inclusão e exclusão, que se traduzem no facto de as empresas grandes incluírem ou excluírem parceiros consoante a compatibilidade das tecnologias utilizadas. Para além da incompatibilidade, esta exclusão pode dar-se também simplesmente pela não utilização das tecnologias. Imagine: A grande empresa A quer comprar electronicamente à pequena empresa B, que se recusa a transaccionar electronicamente. O que faz a empresa A? Negoceia com a empresa C!

Obstáculos sentidos pelas empresas europeias

Um dos entraves manifestados pelas empresas em estudo foi o elevado investimento necessário para uma estratégia de e-commerce.

Para além disto, as dificuldades técnicas têm também algum peso na hora de decidir a entrada no e-negócio. Entre estas dificuldades estão a inexistência de padrões tecnológicos e as preocupações com a segurança.

Os factores organizacionais são também fulcrais, pois as atitudes e comportamentos de todo o pessoal da empresa teriam de ser alterados, já que é necessário que seja incutida uma nova mentalidade, a qual se irá reflectir nos métodos de trabalho. Para além disto, há que analisar as perícias e capacidades dos colaboradores existentes e compará-las com as necessárias à manutenção de um negócio electrónico.

Outro dos obstáculos referidos foi a necessidade de massa crítica, que pode levar muitas empresas pequenas a hesitarem perante a complexidade e grandiosidade de todo o processo.

O que vai mudar em 2005

Na opinião dos especialistas consultados, em 2005 existirão mais leis e regulações e perderão força alguns dos obstáculos actuais. No que toca à mudança organizacional, nesta altura, a cultura das empresas já terá assimilado as práticas associadas ao e-commerce.

O investimento em e-commerce já não vai ser um entrave, pois nesta altura investir nesta área já não vai ser novidade para as empresas. Os problemas técnicos estarão resolvidos, pois será mais fácil encontrar padrões tecnológicos e mais difícil encontrar preocupações com a segurança.

Para finalizar, saiba que neste estudo foram analisadas 170 empresas pertencentes a 17 sectores económicos. Dentro dos bens tangíveis foram analisados os sectores: automóvel, química, construção, design de moda, plásticos, aço, têxtil e vestuário, electrónica, floricultura e equipamento industrial; os sectores de bens intangíveis estudados foram a banca, música, viagens e turismo, logística e transportes, serviços para empresas, consultoria e ainda as agências de emprego.

(c) Sílvia Delgado
HP e Compaq: riscos e consequências


O grande ponto forte da aquisição da Compaq pela Hewlett-Packard é, sem dúvida, a área da pesquisa e desenvolvimento, na qual os esforços combinados das duas empresas, permitirão ganhar uma vantagem competitiva. Para além desta vantagem, a fusão teve como objectivo fazer face à situação económica actual, a qual tem vindo a prejudicar o sector das tecnologias de informação.

Em termos de linha de produto, estas duas empresas competiam basicamente nos mesmos mercados, tendo, por isso, o mesmo tipo de produtos. Com excepção feita para o mercado das impressoras, liderado pela HP e sem a presença da Compaq.

Em consequência deste facto, a nova empresa terá de abranger novas áreas de negócio, para manter a competitividade. Para além disso, assistiremos, provavelmente, a uma integração das linhas de produto semelhantes, que deixam de concorrer entre si para passar a partilhar os mesmos clientes.

Esta integração será uma das causas para os 15 mil despedimentos que se prevêem, os quais constituem 10 por cento da força de trabalho da nova empresa.

Para além dos despedimentos, poderão surgir outros contratempos para os colaboradores destas empresas: o choque cultural pode provocar alguma desunião entre os colaboradores das duas partes envolvidas.

Na HP, por exemplo, cada colaborador tem um estatuto que não poderia ser melhor, o qual se insere na cultura da empresa, chamada HP way. Este estatuto poderá causar alguns conflitos se a transição dos colaboradores da Compaq não for efectuada de forma justa.

Mudanças para os clientes da HP e da Compaq

Os clientes das duas empresas podem contar com algumas mudanças importantes. As empresas que compravam produtos da HP e da Compaq, verão uma redução da complexidade e do tempo que demora o processo de compra, pois agora, em vez de negociarem com dois fornecedores, negoceiam apenas com um.

Por outro lado, pode também acontecer que algumas empresas deixem de negociar com a nova HP. Imagine uma empresa que consuma produtos HP mas não queira, de maneira nenhuma, produtos da Compaq (ou vice-versa). Essa empresa poderá, simplesmente, mudar de fornecedor.

Para além disto, os compradores de produtos de informática perdem mais um termo de comparação nas suas compras. Já não podem ir à HP saber os preços e depois compará-los com os da Compaq, pois agora há menos uma hipótese possível para estabelecer comparações de preços.

Voltando ao par recém-casado, ambas as empresas vêm de processos de reestruturação importantes, o que pode indicar que já estão habituados a processos de mudança.

Contudo, se a transição e estruturação da nova empresa for lenta, a concorrência começa a ganhar terreno e tempo para acções competitivas. Ainda assim, e mesmo sendo considerada um gigante, a HP não é líder, pois continua a ser mais pequena do que a sua concorrente IBM, conclui a consultora IDC.

(c) Sílvia Delgado


Sunday, October 21, 2001

Internet em força nas empresas portuguesas

Cada vez mais empresas portuguesas estão ligadas à internet: Oitenta e três por cento das inquiridas pela IDC Portugal afirmam ter acesso à web. Para além disso, há sectores onde a penetração da internet atinge quase os 100 por cento, como é o caso da banca, onde todas as grandes instituições têm acesso à internet, revela o relatório "Mercado das tecnologias de informação em Portugal: Situação actual e tendências, 2000-2004" efectuado por esta consultora.

No que toca ao número de funcionários com acesso à internet, quase metade dos inquiridos (42,8 por cento) são contemplados com pelo menos um tipo de acesso.

Em relação ao modo de acesso, existe ainda uma elevada percentagem de empresas que utiliza o barulhento modem tradicional: 46,1 por cento. As previsões apontam para que esta percentagem diminua em 2002, passando para os 30.8 por cento.

Quanto à largura de banda, são geralmente as instituições com maior número de empregados que adoptam este tipo de infraestrutura.

Presença própria na rede

Quanto à presença própria na internet, esta é um privilégio de 50,2 por cento das empresas inquiridas, as quais têm sites corporativos de acesso livre. Com intranet temos quase metade das empresas (42,5 por cento) estudadas. Com uma penetração mais baixa está a extranet, que existe em apenas 14,7 por cento das empresas.

O sector com maior penetração da intranet é a banca, no qual 88,9 por cento das grandes entidades têm este tipo de estrutura. Na distribuição e retalho, a intranet existe em 43,2 por cento das empresas, enquanto que na indústria esta ferramenta está presente em 23,5 das empresas.

Para a implementação do seu site, a maioria das empresas utiliza serviços de web hosting. Apenas desenvolvem esta ferramenta internamente as organizações de grande porte, as instituições do sector financeiro ou as empresas TTUM (Telecomunicações/Utilidade/Transporte/Media).

Como vai o e-commerce português

Segundo a IDC, apenas três por cento dos sites de comércio a operar em Portugal aceita pagamentos online. Este factor parece não ser encarado como indispensável ao sucesso, podendo funcionar mesmo como um entrave à compra. Assim, os responsáveis por estes projectos consideram críticos para o êxito: o funcionamento 24/7, a facilidade de navegação, a rapidez, a privacidade, a interactividade e a segurança.

Quanto ao comércio em marketplaces, a maioria das empresas - apesar de bem informadas sobre o assunto - não tem intenções de participar, à excepção de alguns sectores económicos.

Tendências de futuro

Em relação à presença própria, metade das empresas que ainda não estão na internet pretende implementar um site até ao final deste ano.

Contudo, no nosso País a generalidade das empresas inquiridas não tende a investir na internet móvel. Apenas alguns sectores económicos mostraram intenção de vir a investir nesta área.

Ainda assim, a IDC prevê que em 2001 mais de metade (54,9 por cento) das empresas inquiridas aumentem em 34,7 por cento as despesas em tecnologias de informação. O sector que mais aumentará estas despesas é o sector industrial, cujo acréscimo será na ordem dos 42,7 por cento.

Indo um pouco mais longe no tempo, até finais de 2002, a IDC estima que os níveis de implementação mais elevados pertencerão às aplicações e ferramentas de software de e-commerce, Data Warehouse e Gestão Documental.

Em 2004 espera-se que 16 por cento dos 60 milhões de euros gastos em tecnologias de informação sejam alocados para produtos e serviços relacionados com o e-business, percentagem que representa uma subida em relação aos 10 por cento registados em 2000.

(c) Sílvia Delgado